O Assalto

 

Tensão, realidade, angústia, claustrofobia, São Paulo... Por trás de uma janela, trancados na sala de um banco após o expediente, Vitor, bancário, tortura psicologicamente, Hugo, varredor, colocando sua revolta, egoísmo, dores, sexualidade, frustrações, manipulando e sendo manipulado. Os dois vivem momentos de angustia por causa do instinto de vingança de Vitor contra o sistema. Uma história com destino surpreendentemente sem volta.

 

 

“Meu número é 5.923,800, você sabe quanta gente vem atrás e quantos não vão a minha frente?”

 

Vitor é um bancário como tantos outros. Vive em São Paulo e está à beira da loucura, “da loucura que leva ao suicídio”, cita o autor. Vive sufocado numa vida congestionada de trabalho, obrigações, ruas e metrôs lotados de gente que não tem nada a ver com ele. Sua vida é sem amigos e nem inimigos, vive apenas para servir ao Banco e ao sistema no qual o seu Maia “o chefe” abusa do poder para assediá-lo constantemente.

 

 “Imagina uma coisa monstruosa vinda da merda, que conseguiu tudo o que queria puxando o saco de tudo quanto foi gente importante. Imagina essa coisa dormindo com você, lá bem dentro do teu sono, dentro do teu copo de cerveja, dentro da tela de cinema, dentro do livro que você gosta de ler, e você tem que chamar a coisa de chefe.”

 

Vitor expõe seu sofrimento ao faxineiro do banco ao mesmo tempo em que o sacode com palavras para que perceba o quanto o sistema o consome e o massacra. Suas palavras pedindo ao faxineiro para que não se torne um robô, para que pense no que quer fazer de sua vida, no que vai ensinar para seus filhos, etc., são os reflexos das fantasias do próprio bancário, abafadas juntamente com o sonho de fazer parte de uma categoria que há um tempo não é valorizada.

 

“Na sua profissão você é sacerdote e eu não sou na minha.”

 

Provocações, subornos, sexualidade explodem num ritual, no qual Vitor escancara todas as suas frustrações, medos e revolta. Ele não acredita mais em um reparo, banco nenhum pode pagar o tempo que perdeu nesses anos de dedicação, dentro e fora do banco. Dessa forma, Vitor assalta o banco e distribui dinheiro pelas gavetas e armários dos funcionários. Sendo assim, puxa o gatilho de um exército inteiro contra a própria cabeça.

 

“Eu queria assaltar alguém por dentro, saber se é melhor ou pior do que realmente é?”

 

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