"Pinocchio"

uma história de circo

Fotos: Gil Oliveira

De todos os clássicos infantis Pinocchio é com certeza um dos mais famosos e didáticos que se conhece.

A questão da mentira, que está presente em uma ou várias fases da vida da criança, oferece um grande material de pesquisa, contudo, a criança normalmente mente e isso também não precisa ser considerada uma coisa de outro mundo.

Assim como toda companhia ou grupo, ao montar “Pinocchio”, trazemos um olhar próprio sobre a obra de Collodi: Gepeto é um homem sozinho e queria muito ter um filho. Certo dia, encontra um pedaço de madeira encantado, da qual faz Pinocchio. Quando menos se espera, Pinocchio está falando, andando e se comportando como gente. Ao se comportar como gente, certamente erra e ao contrário de um pensamento punitivo, no qual a criança que erra deve pagar pelos seus erros, lançamos a problemática na qual a criança que erra deve pensar nos seus erros, porém os adultos devem levar em considerações as condições dadas e se questionar sobre o papel formativo que têm em relação a criança.

Sendo assim, nosso “Pinocchio”, vem de encontro com o que se pensa nos moldes mais modernos da educação, questionando valores e práticas dos adultos, que cobram posturas que nem sempre podem cumprir e também numa relação de troca e não apenas de cobrança.

O espetáculo discute ainda, implicitamente, questões como relações de amizade, bulling e o papel da família na vida escolar e social.

PROPOSTA PEDAGÓGICA

 

A estória de Pinocchio é repleta de ensinamentos. Um dos principais e mais explícito é o de falar a verdade e enfrentar os problemas e situações com clareza e sinceridade.A criança que aprende isso, com certeza terá menos problemas na vida adulta.Várias questões aparecem no texto de forma implícita como o respeito aos mais velhos, o valor das relações de amizade, aos laços familiares, etc.O espetáculo pretende abarcar o adulto também, pois nesse caso, ele é parte fundamental para a construção dos saberes da criança. Há um mundo fora do ambiente escolar e do ambiente familiar cheio de percalços e claro, entendemos que assim como Gepeto, os pais orientam os filhos no caminho que acreditam ser o mais correto para eles, porém, cabe aos tutores realizar uma orientação assistida para que esse caminho correto que se deseja, seja alcançado. Logo no começo do espetáculo, Gepeto vende seu casaco para comprar o livro de Pinocchio, e, mesmo sabendo da importância que tem a moeda que leva consigo, Pinocchio faz a escolha de dá-la à Raposa para poder assistir o Circo. A raposa persuade, porém quem faz a escolha é Pinocchio. E fazer boas escolhas quando se é criança não é tão simples quanto parece.Ao perguntar a uma criança se quer fazer lição ou brincar, o mais provável é que ela responda que quer brincar, porém, cabe ao adulto também dar significado a esse ato de fazer à lição.O espetáculo aos poucos vai mostrando as más escolhas de Pinocchio e as consequências delas, como por exemplo, quando vai para a Ilha das travessuras e quase vira burrinho, para depois se arrepender amargamente.Dessa forma, Pinocchio está sempre errando e aprendendo. Ao chegar ao final do espetáculo, Pinocchio questiona se conseguirá continuar falando a verdade e sendo um bom menino. A resposta de todos é que sim, pois ter valores e comportamento ético é o que se espera de um menino e um ser humano de verdade.

PROPOSTA DE ENCENAÇÃO

 

O espetáculo utiliza a Linguagem de Circo-Teatro como pano de fundo da encenação.

O caráter mambembe do circo-teatro, suas características como as gags dos palhaços e o melodrama, são utilizados na encenação de forma que auxilie a contar a estória e amplie artisticamente o conteúdo do espetáculo.

A pesquisa corporal é baseada na comedia dell’arte e no circo-teatro.

Utilizamos também alguns recursos do teatro dialético de Bertolt Brecht como soluções cênicas e na tentativa de melhorar o caráter didático do espetáculo, como no caso da baleia, no qual a fada congela a cena e narra os acontecimentos.

Nesse momento também lançamos mão de um recurso já utilizado em nossos espetáculos “O Jogo do Folclore” e “As Aventuras de Peter Pan e Sininho”, que é o teatro de bonecos, no qual réplicas de Gepeto e Pinocchio se movimentam dentro da barriga da baleia.

Há uma crítica aos pais que por motivos muito próprios do século XXI, acabam sendo um pouco displicentes com seus filhos, deixando-os a mercê de desenhos da Cartoon Network ou dos conhecidos filmes da Disney. Essa crítica é apresentada no papel da fada azul, que para nós representa a mãe de Pinocchio e está sempre com pressa, tendo que dar conta de mil e uma coisas.

A Fada azul, por exemplo pede ao grilo para auxiliar Pinocchio, para tirar seu corpo da jogada. Depois vai salvar Pinocchio e esquece de voltar o nariz ao normal e no fim, vendo que tudo está indo bem, pede uma música que tenha todos os clássicos mais conhecidos, pois aí, é certeza de diversão garantida.

É claro, que essa crítica está implícita na encenação e nos divertimos com fada politicamente incorreta e com o pout porri da Disney e não há motivo para não se divertir. Alegria contagia e queremos que nosso Pinocchio contagie também.

 

FICHA TÉCNICA

 

Texto e Direção Rodrigo Ximarelli

Elenco Dimas Stecca, Luana Tonetti, Lucas Barbugiani, Lucas Pedroso e Shanny Segade

Desenho de Luz Rodrigo Ximarelli

Técnica de Som e Luz Hamilton Fernandes

Cenografia Rodrigo Ximarelli

Figurinos Dimas Stecca

Visagismo Gil Oliveira

Coreografias Dimas Stecca e Lucas Barbugiani

Faixa Etária A partir de 2 anos

O espetáculo estreou em Maio de 2015 e já realizou uma média de 20 apresentações em escolas e teatros, Em novembro de 2015 esteve em cartaz no Teatro Amil em Campinas

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